Estamos em aguda e profunda crise
urbana e social relacionada ao crack, essa droga avassaladora, aniquiladora e
mortal que vem fazendo vítimas e mais vítimas diariamente em todo canto do
nosso País.
O crack trás a morte em vida do
seu usuário, arruína a vida dos seus familiares, aumenta a criminalidade onde
se instala, degrada e mata mais do que todas as outras drogas juntas.
De poder sobrenatural o crack
pode viciar o usuário já na sua primeira ou segunda experiência e o que vem
depois é a tragédia certa. Crack e desgraça são indissociáveis e quase
palavras sinônimas. Relatos dos seus usuários e familiares, fatos policias diários
e opiniões de especialistas sobre os efeitos e as conseqüências nefastas da
droga podem ser resumidos em três palavras tão básicas quanto contundentes:
sofrimento, degradação e morte.
A composição química do crack
é simplesmente horripilante e estarrecedora. A partir da pasta base das folhas
da coca acrescentam-se outros produtos altamente nocivos a qualquer ser vivo,
tais como: ácido sulfúrico, querosene ou solvente e a cal virgem,
que ao serem processados e misturados se transformam numa pasta
endurecida homogênea de cor branco caramelizada onde se concentra mais ou menos
50% de cocaína, ou seja, meio à meio cocaína com os outros produtos altamente
nocivos citados. A droga é fumada pura, misturada num cigarro comum ou num
cigarro de maconha que recebe a denominação de “bazuca”.
A fumaça altamente tóxica do
crack é rapidamente absorvida pela mucosa pulmonar excitando o sistema nervoso,
causando inicialmente euforia e aumento de energia ao usuário, com isso advém,
a diminuição do sono e do apetite com a conseqüente perda de peso bastante rápida
e expressiva.
Logo os efeitos nefastos biológicos
aparecem para os seus usuários, tais como: aceleração ou diminuição do
ritmo cardíaco, dilação da pupila, elevação ou diminuição da pressão
sanguínea, calafrios, náuseas, vômitos, convulsão, parada respiratória,
coma ou parada cardíaca, infarto, doença
hepática e pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC).
Além disso, para os fracos e
debilitados usuários sobreviventes, ao longo do uso da droga, há perda dos
seus dentes, pois o ácido sulfúrico que faz parte da composição química do
produto assim trata de furar, corroer e destruir a sua dentição. O crack também
causa a destruição dos neurônios e provoca a degeneração dos músculos do
corpo do seu usuário, fenômeno esse conhecido na medicina como rabdomiólise,
o que dá aquela aparência esquelética ao indivíduo com ossos da face
salientes, pernas e braços finos e costelas aparentes.
O crack é tão perigoso que até
o próprio traficante que tem consciência desse perigo, de tal droga não faz
uso. Dificilmente e raramente um traficante usa o crack o que não ocorre com os
outros tipos de drogas em que muitos deles também as utilizam em consumo próprio.
A disseminação do crack é
constante e diariamente prende os menos avisados assim como uma teia de aranha
para as suas presas, transformando as suas vítimas em verdadeiros mortos-vivos
a perambular pelo submundo da sociedade.
Pesquisando junto às opiniões
dos médicos e especialistas em tratamento dos drogados conclui-se que realmente
estamos perante uma epidemia, porque há um número explosivo de casos nos últimos
três anos. Antes era uma raridade, havia nas unidades hospitalares
especializadas 90% de outras dependências e 10% de crack. Hoje há o contrário.
É unânime o conceito dos especialistas em afirmarem categoricamente que o
crack é uma droga diferente das outras, muito mais severa e contundente. Não há
outra droga que produza um declínio físico e mental maior para o viciado
quanto o crack.
Segundo estudos realizados por
especialistas na área, as dificuldades para o tratamento dos viciados em crack
também são imensas, por isso, a grande preocupação das autoridades ligadas
ao tema da intensa problemática. É preciso de extrema força de vontade do próprio
viciado para poder se livrar desse malefício infernal.
A conscientização e o
investimento em massa na área da educação, na prevenção, com aulas,
palestras, seminários e um convívio mais profundo e dialogado no seio da
sociedade especialmente entre pais e filhos, poderá livrar-nos dessa epidemia.
Não podemos achar que a polícia ou a medicina resolverão os problemas, que,
muitas vezes, se iniciam nos lares, escolas e outros lugares de convivência,
principalmente dos jovens, mais expostos, por vários motivos, à atração do
mundo das drogas.
No País do futebol precisamos
sempre formar mais e mais competentes e excelentes atletas craques da bola, do
esporte e não incompetentes e debilitados cracks desta droga satânica.
Autor: Archimedes Marques
(delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica
de Segurança Pública pela UFS)
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