Só um laudo técnico poderá afirmar oficialmente, mas não se observa risco eminente de rompimento da barragem e sim falta de manutenção
Após a tragédia em Cocal, as populações que moram em locais que recebem águas de barragens passaram a ficar apreensivas; é justificável essa preocupação dado em parte à falta de confiança nas afirmações das autoridades, a partir do episódio na Barragem Algodões I em Cocal em que as populações foram autorizadas a voltarem para suas casas e infelizmente aconteceu da barragem romper e causar o que vimos, pessoas e animais mortos além da destruição total por onde a água passou.
A verdade é que falta manutenção nessas barragens, pequenos problemas pontuais vão surgindo, a princípio inofensivos, não são resolvidos de imediato e vão se acumulando chegando ao ponto de se tornarem sérios, aí já é tarde.
Em Piracuruca temos uma barragem 5 vezes mais que a barragem de Algodões I, após o problema em Cocal a população de Piracuruca ficou amedrontada, e tal medo se justifica, caso essa barragem venha a romper a cidade está em sérios apuros, conforme pode ser visto na infografia, é um mar de água que virá sobre a cidade e a previsão é catastrófica:
Fiz uma visita à barragem nesse dia 13 de junho de 2009, descreverei agora o que pude observar:
Não encontrei técnicos fazendo inspeção, fiscalização e muitos menos reparos na barragem.
O paredão da barragem está aparentemente intacto, não observei nada de vazamentos, somente algumas árvores crescendo no paredão
o que a meu ver devem ser retiradas, visto que podem crescer e suas raízes adentrar muito no paredão, isso não é bom.
Paredão da barragem
A comporta está parcialmente aberta, há rumores de que existe um problema hidráulico na sua abertura que faz com que não se tenha um controle sobre a mesma e conseqüentemente sobre a vazão da água, isso é péssimo.
Comporta da
barragem
A barragem está sangrando, o imenso piso de cimento está com uma lâmina d’água de aproximadamente 30cm, observa-se ao seu final uma grande erosão que se inicia do lado direito e estende-se até o local onde o rio encontra seu leito, da uma aparência que o serviço não foi terminado; erosão deve ser controlada, é perigoso ela crescer no sentido do grande lago.
Sangrador da
barragem
Observando agora a parede que separa a barragem do sangrador, pude observar alguns sinas claros de descaso e talvez sejam esses sinais que estão causando os maiores temores na população. Vejamos:
- Alguns vazamentos entre as placas de concreto e dois canos quebrados estão permitindo que a água
passe para o outro lado da parede fazendo com que a sangria ocorra pelos dois lados.
Infiltrações entre as placas de concreto
Infiltrações entre as placas de conreto
Canos quebrados
- Esse pequeno riacho formado por esses vazamentos se estende desde a metade da extensão do paredão até desembocar no rio sendo no meio do percurso observado alguns desvios.
Água começa a descer formando um riacho
Água descendo seguindo a parede do sangrador
(deveria haver uma proteção)
Água descendo seguindo a parede do sangrador
(deveria haver uma proteção)
- A água do vazamento corre na base do paredão e vai ganhando força chegando a formar uma
pequena cocheira, que perigosamente vai erodindo a base do paredão com a queda
d´água.
Cachoeira formada na base do paredão
Erosão formada pela que d´água
- Presença de muitos pescadores que transitam por cima do paredão e pescam de uma altura de 15 a 20 metros, sobem através das árvores; muito risco.
Presença de pescadores na área
Pescadores sobem pelas árvores para cima do
paredão do sangrador
Pescaria de cima da parede do sangrador, ao fundo
vê-se a queda d´água, são de 15 a 20 metros de altura, de onde esse pescador
está
Final da parede do sangrador (lado direito) ao
fundo, muitos pescadores
Conclusão:
Lógico que só um laudo técnico feito por profissionais poderá afirmar oficialmente, mas não se observa risco eminente de rompimento agora, ainda mais com a pausa no período chuvoso, o que existe é uma visível falta de manutenção, pequenos problemas que vão se acumulando por não serem solucionados pontualmente e poderão causar um grande problema no futuro.
A população tem razão em se preocupar e tem que cobrar das autoridades ações no sentido de resolver tais problemas
estruturantes.
Como sugestão deveria ser formado um conselho para fiscalizar a barragem, esse conselho seria formado por:
ministério público, governo do estado, defesa civil, prefeitura do município,
câmara municipal, sindicato dos pescadores, membros da comunidade.
Esse conselho poderia cobrar do órgão que administra a barragem relatórios de inspeções anuais, fazer visitas in loco para comprovar tais relatórios e assim tranqüilizar a população.
Isso tem que ser agora esses problemas tem que ser resolvidos, que não esperemos o próximo inverno.
De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus. - 2Co 5:20
O primeiro motor, para geração de energia, instalado em Piracuruca era da marca “Black-Stone”, de fabricação inglesa; era movido à lenha e consumia fantástica quantidade de madeira retirada das florestas do município, funcionava onde hoje é a Casa da Cultura.